Indra
Aquele baile num 8 de janeiro...
Chamaram-no:
A Noite da Interconectividade...
Móros, filho de Níx, era o porteiro
naquela singular rede plural de Indra...
Assim contaram:
Era uma outra vez
num baile de irreconhecíveis
dois seres se conhecendo pela milésima vez,
cometendo os mesmos erros,
provocando os mesmos equívocos,
criando filhos e ciladas
às custas de carne, sangue e ossos
de um mesmo cordel de enganos:
pluralidade singular e irrevogável na rede de Indra
Palíndromo, oroboro... seja lá a que pavio pertença,
viver é algo muito inflamável!
Cuidado! Vidros!
A rede plural de Indra na singularidade embriagante
de trazer a eternidade numa convulsão de vísceras
derretendo a maquiagem irretocável dos mascarados.
Que poder haverá por trás das nuvens distantes, efêmeras e
cúmplices
de um mesmo céu em precipícios?!
Se Deus fosse a pluralidade no singular
uma só fresta já revelaria todo um universo onde a luz,
ao penetrar o espírito dos homens que têm fome e sede de
justiça,
refletiria seu eclipse em forma de neblina atravessada.
O amor prevalece como testemunha nos vultos dos amantes que se
procuram.
Eles se beijam entre a volúpia e a maresia dos canais de Veneza,
construindo pontes imaginárias pela umidade das colunas
e o toque morno de línguas que se contornam...
O poder do amor que tudo move,
que nos faz subir montanhas para dançar com os dervixes,
e nos inspira a cantar canções de amor do alto das colinas
para nos impulsionar depois a contar suas lendas
ressuscitando depois na luz de um outro e mesmo amor,
no qual simultaneamente
todo o universo gira, pulsa e acontece,
mesmo quando o carrossel subitamente para e se cala.













