sábado, 21 de março de 2026

Indra

 

Indra

 

Aquele baile num 8 de janeiro...

Chamaram-no:

A Noite da Interconectividade...

 

Móros, filho de Níx, era o porteiro

naquela singular rede plural de Indra...

 

Assim contaram:

Era uma outra vez

num baile de irreconhecíveis

dois seres se conhecendo pela milésima vez,

cometendo os mesmos erros,

provocando os mesmos equívocos,

criando filhos e ciladas

às custas de carne, sangue e ossos

de um mesmo cordel de enganos:

pluralidade singular e irrevogável na rede de Indra

 

Palíndromo, oroboro... seja lá a que pavio pertença,

viver é algo muito inflamável!

Cuidado! Vidros!

A rede plural de Indra na singularidade embriagante

de trazer a eternidade numa convulsão de vísceras

derretendo a maquiagem irretocável dos mascarados.

 

Que poder haverá por trás das nuvens distantes, efêmeras e cúmplices

de um mesmo céu em precipícios?!

 

Se Deus fosse a pluralidade no singular

uma só fresta já revelaria todo um universo onde a luz,

ao penetrar o espírito dos homens que têm fome e sede de justiça,

refletiria seu eclipse em forma de neblina atravessada.

 

O amor prevalece como testemunha nos vultos dos amantes que se procuram.

Eles se beijam entre a volúpia e a maresia dos canais de Veneza,

construindo pontes imaginárias pela umidade das colunas

e o toque morno de línguas que se contornam...

 

O poder do amor que tudo move,

que nos faz subir montanhas para dançar com os dervixes,

e nos inspira a cantar canções de amor do alto das colinas

para nos impulsionar depois a contar suas lendas

ressuscitando depois na luz de um outro e mesmo amor,

no qual simultaneamente

todo o universo gira, pulsa e acontece,

mesmo quando o carrossel subitamente para e se cala.