de refém num amplo jardim
como prisioneira de outras cores
e seu tênue virtuosismo
abraçar um céu inteiro!
Percurso
Invento verbos que não registro
olhando paisagens que ultrapassam o transferidor.
Há muito tempo
trouxe um fardo que a poeira foi comendo pela estrada
sem deixar rastros, cúmplice e companheiro do vento
que apagou todos os vestígios sem deixar endereços ou mapas.
Hoje, percebi que o hálito úmido da manhã,
perspicaz, envolvia um céu no vale.
Já faz tempo.
que as bússolas foram atravessadas
e os astrolábios beijados em diários de viagem
borrados de batom quando faltavam palavras.
Certa vez as estrelas se compadeceram
e vieram se refletir no azul do lago
emaranhando astronautas e argonautas
para consternação geral de satélites e escolas de navegação.
Assim, trezentos e sessenta graus foram cumpridos sem compasso,
sem êxodo, degredo ou promessas de constelações desconhecidas.
O Cerne dos Infinitivos
Manter a vida diária intacta
sem amarras ou conflitos
preferências ou rejeições
e receber tudo com a resignação do Buda
que apenas comia do que caía em seu prato...
Saber nos tutanos do espírito
da imparcialidade das flores
que tudo ouvem e vêem
com o mesmo senso tenro e fresco de presença
e conservam, imaculadas, o belo de seu ser
em guirlandas para todo destino, incondicionalmente:
seiva que tragou um dia do próprio âmago da terra.