quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Arreios / Letras de Fogo

 

Arreios / Letras de Fogo

 

Havia ferrugem entre minha alma e eu

até o dia em que tomei a vez do ventríloquo

e falei pelos cotovelos

não ficando uma esquina que fosse por farejar.

 

Boi alongado, de gado sentido

sou de rinchavelhos, mesmo vindos da culatra

e farejei esta manhã sábios esteios...

 

Há uma constelação que passa por você...

 

E gigantes também passaram por aqui,

homens sem pecado nos ombros

que fizeram do mundo um lugar maior,

o mesmo mundo minotauro que bestifica sonhos

e lê caleidoscópios à guisa de labirintos.

 

O fio de Ariadne transpassando a trama toda

na rede pulsante de Indra

arfa fúrias contra a estreiteza

implorando o fórceps mordaz

que só mãos endeusadas têm a habilidade de coordenar

do caos desse repertório de calúnias

onde tudo mente e todos se desgovernam.

 

A perspectiva é impávida

enquanto Jerusalém cega suas feridas

diante de um deserto de sangue

não muito longe de suas muralhas



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