segunda-feira, 30 de maio de 2016

Mediterraneios



Mediterraneios

Num mar metálico
o sol era um reflexo entre cobres e pratas
quando se punha,
vertigem de quem pôde ler seu tempo
pela clara referência do horizonte
em espelho de ritmos escatológicos.

Alaranjado
ele hesitou seu mergulho 
panorâmico e complementar
como um pecado insondável
até tocar sua garganta de fogo
 na superfície da linha
e incontestável, beber o mar inteiro
que vencido
escureceu então por entre as brumas.



sábado, 21 de maio de 2016

Petardos



Petardos

Se não houver resignação
o despertar é insuportável.

No pequeno tratado do mundo sutil
o sol começa sua jornada e ilumina um céu inteiro!

O belo persiste intermitente.

Assim, o pulsar desigual dos semáforos
é tão somente uma miragem na estrada ampla,
vida que respira sem rimas
o toque redentor do eterno amanhecer em cada poro
como a alvorada de um cosmos que não tivesse pressa.

Um mistério que se preserva e se prolonga,
consubstancial e transubstancial
e dele ainda emergem outros pranas.

As portas da eternidade
permanecerão abertas o tempo todo.
Somos aqueles que negam a travessia de seu umbral
por sua fantástica e evidente proximidade,
muito maior e mais íntima que nossos próprios umbigos.

Olhar a vida com olhos de boneca que jamais se fecham
entrevendo imparciais
a mágica viva do quarto de brinquedos;
a quietude do olhar
perante a surpresa imparcial da clarividência.

Nem o peso das chaves obsoletas que trazemos por precaução
como apêndices mal dormidos
trazem outras respostas além de ruídos nos bolsos,
os mesmos que ainda acreditam e defendem na ferrugem,
a lei oca das fechaduras
que desconhece o transe libertário dos batentes.

Abram alas para os cegos
e ouçam o roer dos mudos.

Aqui, nem o sono dos surdos é absoluto!