segunda-feira, 28 de março de 2022

Farruca

 

Farruca


Preciso viver rente à minha seiva,

moendo o grão e o sal dos meus sonhos

para construir os alicerces de um paraíso,

recriando o dna de um Deus que me redima

de tudo que não pude polir:

diamante-réu de minha própria sina.


Até mesmo o que é raso, incondicionalmente

passa antes pelo véu dos meus profundos

porque é desse porto que eu venho

e dele estou sempre chegando,

leito de rio que permanece contínuo,

indômito, sem âncoras de partir.


Se persisto

é porque no íntimo meu lema é tempestades à risca,

cumpridas em meio ao calor da paisagem

e da gravidade que nenhum astronauta ousa ignorar.


Apenas cumpro rios em meus sonhos de acordar

como se tudo não passasse de hoje, de agora e de já!


Soa o alarme!


É o bote! Revejo tudo em oito segundos

e o infinito se desintegra imparcialmente.


Foi-se a vida num raro degradée,

gosto de quimera, sorrindo do que chegou a ser.