quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Ápex

 

Ápex


A doce voz que cantava canções de acordar

para despertar a eternidade no verso dos meus dias

tem sussurrado um fio de esperança que permanece inaudível

porque os dias estão surdos e afogados

numa fumaça turva e confusa de destroços.


Com o coração pelo avesso

pulsa minha alma à procura de sorrisos

que não ousam brotar mesmo em silêncio

e assim meus sonhos dormem esquecidos.


Mas atento, ouço sementes germinando próximas à superfície

como um segredo prestes a ser revelado entre as pedras.


Vulcões ocultam luz em suas entranhas

onde o fogo dos deuses ferve o tempo num ventre negro

que pergunta pelo halo azul por onde a lava responde.


Tudo mais próximo, o nirvana e o caos

num emaranhado claustrofóbico de fios elétricos junto às estupas,

o legado estável de um beijo, dado aos homens que insistem

em continuar sua via crucis de sangue e terremotos.


Que indulgentes, ergam-se da lápide de si mesmos

e celebrem a criança perdida finalmente encontrada!


E principalmente, que permitam jardins ao redor das indústrias e automóveis!


Katmandu, 29 Novembro 2023