domingo, 16 de junho de 2013

Canções para um novo inverno




Tuaregues e castelos de areia

O deserto tem segredos para contar.
Há muito tempo havia um mar aqui.
O trabalho a fazer é transformá-lo em oceano outra vez...

Quanto mais próximo se chega
Mais o calor e a aridez aumentam.
Sem ondas. Apenas dunas.
Mas não se iluda com as estações!
Vá para o meio da terra árida
Brincar com castelos de areia como numa praia,
Seguindo pegadas como num deserto...

Qual oásis pode ser verdade?
Como discernir miragens que encantam à primeira vista,
Iludindo meu coração com promessas de delírio
Para depois, cegar meu desejo tuaregue
Com areia cruel e sede impiedosas?

A viagem deve ser feita a sangue e suor
Para traçar o rastro luminoso nos caminhos...

Sujo de areia e sedento mas livre de ilusões!

Queria transformar este destino trôpego por mim mesmo,
Tornar as coisas mais fáceis nesta caravana...
Mas não posso!

E esse oásis, se por acaso encontrá-lo
Será apenas um descanso para os camelos
E alguma boa música noturna dos beduínos
Antes de prosseguir a viagem através do destino, em pleno deserto.

A vida é apenas uma nota nas cordas da harpa de Deus.
Nós continuamos. Como a música.

Às vezes a vida é um jogo
E as peças, feitas de areia.

É necessário considerar a umidade relativa do ar
E estar alerta aos ventos do sul que possam inesperadamente
Alcançar esse tabuleiro.

Peças feitas de areia se desvanecem no deserto como ilusões finalmente se vão...
É uma sina sobreviver dia a dia
Com a frescura do sempre novo e terno tempo...
E repetir o nome de Deus como o primeiro beijo na amada
Dormindo ainda a meu lado sob esta palmeira num dia ensolarado.

A vida é hoje. Tudo mais é pura especulação imobiliária.



                                                                      2007




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